segunda-feira, 20 de abril de 2009

A menina

Lembro da menina sentada ao fundo da sala, aquela que estava entre a timidez e o mistério de ser quem era. Diversas vezes se lamentou partir para vida perfeita e agora não saber como reagir diante dela. A menina se escondia em si mesma, guardava seu jeito doce e sublime de ver o mundo, aquele jeitinho de brincar e ser palhaça como poucos conseguiam ser, ela andava olhando pros proprios pés, entrando sempre em conflitos com ela mesma, se sentia sozinha, mas não via que ela mesma não dava as pessoas a oportunidade de gostar dela.
Um dia ela percebeu que tudo era tão simples, e conheceu a todos e viu que não era preciso ser bonita, ou magra, ou inteligente pra ser adorada, era preciso apenas ser ela mesma.
Mas não era o seu final feliz, afinal a vida é simples, por isso que a complicamos. E ela gritou, foi egoista, ciumenta, teve dias que estragou tudo, e teve dias que salvou o mundo de quem ela amava. E deu valor as amizades, e descobriu que podia ter os irmãos que escolhesse e fez disto seu mundo muitas vezes pra não fraquejar. E descobriu que podia guardar sua vida, não em um diário, mas em versos e perpetuou sentimentos e pessoas. E a menina foi menina até que a obrigassem a parar de ser. Se enganou, se iludiu, sofreu e quis querer sumir.
Ela sentiu, ela ouviu e simplismente pariu... Decidiu abrir mão do conforto por um sonho, mas se esqueceu de pensar que haveriam dificuldades. E reclamou, e tentou achar apoio, mas era preciso usar das suas proprias pernas, ver que agora não era mais criança e tinha que confiar em si mesma.
E ela se apaixonou, pela primeira vez amou e ama, ficou doente, chorou, sorri constantemente... não ainda não é suficiente, afinal é amor, quem sou eu pra falar de amor? desconhecido, sorrateiro, enigmático e necessário, um mistério que vivo, talvez nunca o desvende por completo, mas adoro sentir essa insanidade que me toma de querer, desejar, ousar, falar, e as vezes até guardar. E como um primeiro grande amor errou, tentou concertar, fracaçou, acertou. Guarda o sentimento em si, é tão precioso que não se vê sem ele, é sincera, gentil, loucamente apaixonada.
Ainda me obrigo a crescer, porque a vida quis assim, mas não esqueço da menina, esta da história ai em cima, que as vezes é tão pretenciosa a ponto de pensar que viveu muito, mais humilde o suficiente pra saber que é pouco ou quase nada o que tem vivido. Capaz de complicar seus pensamentos, de ter medo, de ser tão rigorosa com si própria que se faz sentir o fracaço, é como um cansaso que toma conta.Capaz de sorrir, de ajudar, de amar, de lutar com ela mesma pra fazer as coisas darem certo, de saber quando erra e quando acerta e de tentar mudar.
Ainda não cresci, mas estou disposta a enfrentar o caminho, esperando não cair em um beco sem saida.

Um comentário:

  1. Tao inspirador!

    Me apareceu na hora certa... Obrigado por conseguir por tanta sensibilidade em palavras!

    Te amo

    Harry

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